Morrinhos é destaque no cenário nacional da pecuária leiteira por realização da Tecnoleite Complem

Morrinhos é destaque no cenário nacional da pecuária leiteira por realização da Tecnoleite Complem

As cooperativas do ramo agropecuário representam bem a potência do Estado nesse segmento. Dentre as maiores de Goiás a Cooperativa Mista de Produtores de Leite de Morrinhos (Complem) e a Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano (COMIGO) realizam as duas melhores feiras tecnológicas do agronegócio no Estado, e faturam R$ 1,393 bilhão em negócios realizados durante e depois dos eventos. Com sete edições a Tecnoleite Complem tem sido fundamental para o desenvolvimento do agronegócio e por apresentar o município de Morrinhos para o Brasil. Apenas na edição de 2017, realizada no mês de maio, foram negociados R$ 93 milhões em três dias de feira e teve a visitação de 17.200 pessoas.

Os negócios não se restringem ao Centro Tecnológico Complem, onde é realizado o evento. Na cidade o comércio, restaurantes, hotéis, posto de combustível e até farmácias são beneficiados pela movimentação de recursos gerados pela Tecnoleite Complem.

Proprietário do Hotel Beira Lago, considerado o melhor da cidade, Helder Vieira de Carvalho diz que a Tecnoleite é um evento esperado por ele e por sua equipe. O hotel fica 100% lotado para a feira com os 32 quartos  ocupados, e tem sido assim desde a segunda edição ocorrida em 2012. Empresário experiente, ele diz que a feira só agrega para a cidade. ”Me lembro da primeira edição da feira em 2011 e acreditei que ia dar certo. Converso muito com os hóspedes do hotel e vi os ânimos e interesses.  Desde então, é um evento esperado pelo setor empresarial da cidade”, afirma.

Outro exemplo de parceria de sucesso é relatado pelo empresário Wesley Nunes dos Santos, dono do restaurante Sabor Natural, situado há 27 anos no Centro de Morrinhos. Santos participou de duas edições da Tecnoleite e levou o restaurante para dentro do Centro Tecnológico da Complem (CTC). Ele garante que atingiu os objetivos. “Muitos clientes nos conheceram durante a feira e foram até o restaurante na cidade. Servimos cerca de 480 refeições por dia e a nossa visibilidade aumentou. Acredito que todo evento que leva turistas para uma cidade alavanca os negócios e no interior o dinheiro circula mais. Para mim a realização desses eventos só agregam para o município e deviam ser uma política pública, pois todos conseguem projeção”, ressalta.

O prefeito de Morrinhos, Rogério Troncoso, compartilha da mesma opinião dos empresários e destaca que a Tecnoleite promove a integração entre produtor, município e toda cadeia de produtos. “Isso é muito benéfico para a cidade que só se desenvolveu nestes sete anos. Ganham todos, pequenos, médios e grandes produtores. Tanto que Morrinhos é hoje uma das maiores bacias leiteiras de Goiás. A Tecnoleite é a única feira focada em leite do Estado e que mostra Morrinhos para região Centro-Oeste e para o País”, enfatiza.

Joaquim Guilherme idealizador da Tecnoleite

Conhecimento, tecnologia e desenvolvimento

A Tecnoleite Complem foi criada com o objetivo de levar conhecimento e novas tecnologias aos produtores de Morrinhos e região. A diretoria da Complem, promotora do evento, queria fazer do município, que na época já era um grande produtor de leite, um expoente da pecuária leiteira no Estado e no País. Fazia parte do plano alavancar todo segmento leiteiro da região e fazer crescer não apenas a produção, mas a produtividade e a qualidade do leite. E conseguiram.

Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), em 2013, Morrinhos se tornou o  segundo maior município produtor de leite do País e o primeiro em Goiás, com produção anual de 165,4 milhões de litros, atrás apenas do município de Castro (PR), que alcançou a produção anual de 230 milhões de litros. Desde então, a pesquisa revela que a cidade tem se mantido entre as cinco maiores produtoras de leite do Estado, apesar da queda na produção ter ocorrido no País, por volta de dois anos consecutivos.

Idealizador da Tecnoleite Complem, o ex-presidente da Complem e presidente do Sistema OCB/Sescoop-GO, Joaquim Guilherme Barbosa de Souza, diz que começou timidamente e hoje tomou uma grande dimensão cumprindo os objetivos que foram preconizados, que é unir as pessoas que têm soluções e tecnologias para oferecer e aquelas pessoas que demandam.

A feira promove não apenas a expansão econômica do município.  A cooperativa cresceu muito a partir da criação da Tecnoleite. O evento começou pequeno, com poucos estandes foi realizado na feira coberta de Morrinhos. A partir da terceira edição, a feira ganhou espaço próprio e passou a ser erguida no Centro Tecnológico da Complem (CTC), uma propriedade rural de mais de 12,3 mil metros quadrados, quase todo aproveitado para exposição de produtos e demonstrações técnicas. No local, também foi construído um espaço para realização de cursos e uma fazenda modelo para servir de exemplo para os cooperados das técnicas que fazem a diferença em uma propriedade.

A Complem hoje tem uma estrutura que abrange ainda 12 filiais, além de dois Centros de Distribuição (CD’s), localizados em Aparecida de Goiânia/GO e em Brasília/DF. Seu quadro social é formado  por mais de quatro mil associados, entre ativos e inativos. Atualmente, cerca de 800 pessoas trabalham na cooperativa, incluindo matriz, filiais e complexo industrial com cinco unidades:  indústrias de laticínios e de leite longa vida, fábricas de sal e de rações, armazém graneleiro, todos localizados no Distrito Agroindustrial de Morrinhos (Daimo).

Algumas destas plantas industriais, como as fábricas de sal e rações e o armazém graneleiro, foram construídos no período de sete anos  de Tecnoleite.  De acordo com Joaquim Guilherme a feira acelerou o crescimento da região. “O produtor que vai ao evento conhece soluções que às vezes demoraria dois ou três anos para chegar na cidade”, acrescenta.

As vendas no estande da Complem, dentro da feira, também chegaram a um patamar altíssimo. Em três dias de evento é negociada praticamente 80% do que se consome de ração em 12 meses, em uma propriedade rural. “Isso aproxima os interesses do produtor com a necessidade da fábrica de trabalhar, sabendo que precisa produzir mês a mês, deu uma performance muito melhor para a fábrica”, informa Joaquim Guilherme.

Campo próspero

Se a cidade e a cooperativa festejam o crescimento dos números a partir da Tecnoleite, no campo não é diferente. O presidente do Sistema OCB/Sescoop-GO diz que o  padrão genético tem melhorado, assim como o  padrão de alimentação, de armazenamento de ração, da ordenha, do transporte do leite e a otimização uso da ração. Tudo isso porque a feira possibilita que empresas ofereçm produtos e serviços que contribuem para dinamizar toda a cadeia. “Morrinhos era uma cidade eminentemente focada na pecuária leiteira.  Hoje estamos mostrando que mesmo em pequenas propriedades dá para se fazer uma agricultura forte. Atualmente Morrinhos tem uma agricultura de ponta” ressalta ele.

Para o presidente do Sindicato Rural de Morrinhos, Vinícius Romano Cândido, a feira traz tecnologia e benefícios que ajudam o produtor durante todo o ano, reduzindo custos.  Além disso, promove ganhos para a área urbana do município, devido à movimentação de recursos antes e durante a exposição.

De acordo com dados da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg), Morrinhos é o 8º maior município irrigante, com aproximadamente 5.250 hectares irrigados e cerca de 138 sistemas de irrigação (na maioria pivôs centrais). A cidade também evolui na produção de culturas importantes como soja e milho,  e ainda possui uma tradição de ser grande produtora de cana-de-açúcar.

Segundo o Diretor Executivo do Instituto para o Fortalecimento da Agropecuária em Goiás (IFAG), Edson Alves Novaes, a feira proporcionou ao produtor contato com as mais novas tecnologias do mercado. “Nestes sete anos, a pecuária leiteira passou por altos e baixos e estamos trabalhando para resolver as questões da porteira para fora, pois da porteira para dentro o produtor tem feito a parte dele buscando conhecimento e tecnologia para aumentar a produtividade, gastando menos e com mais qualidade”, explica.

Superação

Nem a crise, que teve seu período mais duro de 2014 a 2016, foi capaz de afetar o crescimento da Tecnoleite Complem. Veja no box.

Ano Expositores Visitantes Movimentação em dinheiro Palestras
2014 90 11.489 R$ 16 milhões 12
2015 101 12.111 R$ 25 milhões 12
2016 103 13.276 R$ 38 milhões 16

Fonte: Complem

Segundo Joaquim Guilherme, no pior período de crise é quando surgem as melhores oportunidades e foi o que ocorreu com muitos produtores. A própria Complem não se deixou abater e, neste ano, a pedido dos produtores de Goiânia e região, abriu uma loja agropecuária junto a filial em Aparecida de Goiânia.

Oportunidade encontrada na Tecnoleite foi a do Sicoob Centro-Sul, hoje com 28 anos de existência e mais de quatro mil cooperados. Nasceu com a denominação CrediComplem e teve sua história intimamente atrelada a da Cooperativa Complem. Conforme o diretor administrativo financeiro da cooperativa, Halison de Carvalho, das sete edições da feira, o Sicoob Centro-Sul participou de cinco. Em 2017 realizou mais de R$ 6 milhões em negócios, que variam desde financiamentos rurais (custeio e investimento) até consórcios em diversas modalidades.

Além da cooperativa de crédito, participam da feira bancos como Caixa Econômica e Banco do Brasil, que promovem facilidades para aqueles que vão à feira e querem adquirir uma máquina ou implementos e sementes. Nos três dias de feira há uma aproximação entre vários interesses e os bancos se agilizam para apresentar pacotes de financiamento.

Desafio

As cooperativas agropecuárias têm um papel fundamental na economia do Estado. Elas são responsáveis por unir o segmento que representa 40% do PIB de Goiás. Diante desta realidade a diretoria da Complem anunciou este ano, na abertura da Tecnoleite Complem 2017, que a partir de 2018 a feira terá o nome de Agrotecnoleite e ampliará ainda mais o leque de opções para o produtor rural goiano.

O presidente da Complem Euclécio Mendonça, diz que o novo nome foi uma adequação a realidade que já vinha acontecendo. “Na feira já era visível a movimentação de negócios, tecnologias para o produtor de leite e de grãos, além da oportunidade de fazer negócios com preços mais baixos”, enfatiza. A diretoria também não considera que a feira de Morrinhos será uma concorrente da Tecnoshow Comigo. “Não se trata disso. Será como já vem sendo: mais uma oportunidade para o produtor. Como a Tecnoleite outras vão surgir como a Feinagro, em Mineiros promovida pela Comiva que se inspirou na Tecnoleite. O importante é manter o espírito cooperativo e trabalhar pelo bem comum”, ressalta Joaquim Guilherme, idealizador da Tecnoleite Complem.

 

Saiba mais sobre as cooperativas agropecuárias em Goiás

 

 

·         Em Goiás há 73 cooperativas do ramo agropecuário registradas na OCB-GO;

·         Há cerca de 3.966 empregados homens e 1.330 empregadas mulheres;

·         Investimentos em capacitação profissional: R$ 900.275,64;

·         Investimentos em ações ambientais:R$ 3,2 milhões;

·         Investimentos em programas sociais externos: R$ 3.600;

·         Investimento em educação para a comunidade: R$ 37.990;

·         Ações Sociais: R$ 507.332;

·         Receitas Totais R$: R$ 6,05 bilhões;

·         Recebimento de grãos: 6,7 milhões de toneladas;

·         Recebimento de leite: 514,9 milhões de litros

Fonte: Censo do Cooperativismo Goiano / 2017

 

Karine Rodrigues